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Como realizar os custeios de preços dentro de um consultório podológico

Administrar um consultório de Podologia pode ser tanto gratificante quanto desafiador. Entre os maiores desafios enfrentados pelo profissional da área está a correta definição dos preços dos serviços oferecidos. Muitas vezes, por falta de orientação ou tempo, o cálculo de custos é feito de forma superficial, desconsiderando fatores importantes como infraestrutura, materiais, impostos e sua própria mão de obra. Neste artigo, vamos explorar detalhadamente como você pode estruturar o custeio de preços no seu consultório de forma estratégica e rentável.

Sabemos que cada centavo conta quando falamos de empreendimentos pequenos ou individuais, como a maioria dos consultórios de Podologia no Brasil. Por isso, entender bem todos os custos envolvidos – diretos e indiretos – é crucial para precificar corretamente seus serviços sem sofrer prejuízos e, ao mesmo tempo, oferecendo um custo justo ao seu cliente.

Entenda a estrutura de custos do seu consultório

Antes de definir qualquer preço, o primeiro passo é entender exatamente quais são os seus custos. No universo da Podologia, os custos podem ser divididos em duas categorias principais: custos fixos e custos variáveis.

  • Custos fixos: São todos os gastos que independem do número de atendimentos, como aluguel, energia elétrica, água, telefone, internet, salário de funcionários e despesas com contabilidade.
  • Custos variáveis: São aqueles que dependem da quantidade de serviços realizados, como luvas, lixas, brocas, cremes, toalhas descartáveis e outros materiais consumíveis.

Além disso, é fundamental considerar o custo do equipamento de podologia (como autoclaves, micromotores e cadeiras), que nem sempre entram na conta porque são compras pontuais. Mesmo assim, esses itens devem ser amortizados ao longo do tempo no cálculo dos preços.

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Infraestrutura é um investimento, não apenas um custo

Muitos profissionais da Podologia não consideram adequadamente a infraestrutura como parte dos seus custos operacionais. No entanto, esse é um erro frequente. A estrutura física do consultório impacta diretamente na experiência do cliente e na saúde financeira do negócio.

Gastos com manutenção, reformas periódicas, compra de mobília confortável, climatização e até a decoração compõem esse grupo. Embora pareçam custos pontuais, devem ser projetados a longo prazo como um custo mensal para diluir seu impacto nos atendimentos.

Por exemplo: se você investiu R$ 9.000 na ambientação do consultório e pretende amortizar este valor em 3 anos (36 meses), isso representa R$ 250 por mês a serem incorporados em seu cálculo de preço.

 

Materiais e insumos: saiba como calcular corretamente

Na prática da Podologia, o uso de materiais descartáveis e produtos de cuidados com os pés é constante. Muitos desses insumos variam conforme o tipo de procedimento e a frequência de atendimento. Para isso, é recomendável ter uma ficha técnica para cada serviço prestado.

Essa ficha deve conter tudo o que é utilizado no procedimento – de materiais básicos como algodão e luvas até produtos especiais como cremes, óleos essenciais, lixas específicas e brocas descartáveis. A gestão de materiais em podologia garante precisão no custo unitário de cada atendimento.

Calcule o valor individual de cada item e normalize por atendimento. Por exemplo, se o frasco de um creme custa R$ 40 e você utiliza 5 ml por cliente, e o frasco possui 200 ml, então o custo por cliente daquele item é de R$ 1.

  • Luvas: R$ 0,50 por par
  • Creme hidratante: R$ 1,00
  • Toalha descartável: R$ 0,80
  • Lixa de unha: R$ 0,60

Essa base de cálculo permite que você tenha clareza sobre o custo real de cada atendimento, evitando prejuízos e desperdício. Além disso, documentar o uso de materiais é uma boa prática tanto para controle financeiro quanto para manter a padronização e qualidade dos atendimentos.

Incluindo sua remuneração no cálculo: valorize seu tempo

Um erro comum entre profissionais autônomos é não precificar o próprio tempo corretamente. Em Podologia, cada procedimento exige tempo, atenção e técnica, e tudo isso deve ser valorizado financeiramente. Sua remuneração precisa estar vinculada ao tempo e à complexidade do atendimento.

Por exemplo, se você deseja ganhar R$ 3.000 líquidos por mês e pretende trabalhar 25 dias ao mês com média de 6 atendimentos diários, o cálculo seria:

  • R$ 3.000 ÷ (25 dias × 6 atendimentos) = R$ 20 por atendimento (somente sua remuneração).

Esse valor ainda será somado ao custo de materiais, infraestrutura, impostos e reservas para manutenção. Considerar você como parte indispensável dos custos é um passo essencial para a sustentabilidade do consultório.

Como compor o preço final dos atendimentos

Agora que você entendeu como calcular cada componente do custo, é hora de integrar todas as parcelas ao preço final. A precificação deve somar os seguintes elementos:

  • Custo variável (materiais individuais por atendimento)
  • Custo fixo proporcional (aluguel, energia, etc.)
  • Remuneração da profissional
  • Amortização de equipamentos e infraestrutura
  • Margem de lucro desejada

Vamos montar um exemplo prático de um procedimento básico de higiene podal, considerando alguns números aproximados:

  • Materiais: R$ 5
  • Proporção de custo fixo: R$ 7
  • Sua remuneração: R$ 20
  • Amortização de estrutura: R$ 2
  • Margem de lucro (20%): R$ 6,80
  • Preço final sugerido: R$ 40,80

Esse é um modelo simplificado, mas já demonstra a importância de um processo estruturado. O uso de softwares de gestão como o PodoPronto podem ajudar muito na automatização desse controle.

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Erros comuns na precificação em Podologia e como evitá-los

É natural cometer erros no início do processo de precificação, especialmente se você está começando na carreira como podóloga autônoma ou abrindo seu primeiro consultório. Mas reconhecer esses erros e corrigi-los a tempo pode ser decisivo para o sucesso do seu negócio.

Evite os seguintes deslizes:

  • Precificar apenas com base na concorrência, sem considerar seus próprios custos;
  • Esquecer de revisar os preços periodicamente com base na inflação ou aumento do custo dos insumos;
  • Subestimar sua própria mão de obra;
  • Não elaborar fichas técnicas para os procedimentos;
  • Não registrar controles de gastos mensais.

Muitas vezes, comparar preços com clínicas próximas engana, pois a estrutura, insumos e foco de atendimento são diferentes. Outra dica importante é acompanhar indicadores financeiros como ticket médio por cliente e lucro por atendimento – ferramentas úteis para analisar crescimento e rentabilidade.

Conclusão: o segredo está no planejamento

O sucesso de um consultório de Podologia depende tanto da qualidade técnica dos serviços quanto do controle financeiro. Planejar sua precificação com base em dados reais e atualizados transforma seu negócio em uma operação sustentável e escalável. Utilizar práticas saudáveis de gestão permite que você tenha maior previsibilidade de ganhos, investimentos mais seguros e maior margem de crescimento.

Agora que você aprendeu os fundamentos para estruturar bem o custo dos seus atendimentos, que tal compartilhar este conhecimento com outras colegas podólogas ou deixar suas dúvidas abaixo?

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Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Preciso usar softwares de gestão para calcular meus preços?
Não obrigatoriamente, mas eles ajudam a automatizar o processo. Planilhas bem estruturadas também são eficientes, desde que estejam atualizadas.

2. Quanto devo incluir de margem de lucro?
Isso depende dos seus objetivos, mas em geral, a margem recomendada é entre 15% e 30% sobre o custo total.

3. Com que frequência devo revisar meus preços?
Pelo menos a cada 6 meses. Fatores como inflação, reajuste de aluguel e aumento de insumos impactam diretamente nos custos.

4. Devo incluir imposto nos meus preços?
Sim. Se é Simples Nacional, precisa considerar os tributos mensais, mesmo que fixos, e diluí-los nos atendimentos.

5. Qual o melhor jeito de controlar os materiais consumíveis?
Manter controle por meio de fichas técnicas e relatórios mensais ajuda a identificar desperdícios e ajustar compras.

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